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Abril 23, 2007Porque amanhã começa o simpósio ( FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO:200 ANOS DE UMA EPOPÉIA) e hoje estou absolutamente stressada. Então, como mal consigo escrever, deixo vocês com algumas palavras do Pe. Vaz que, talvez, ajude qualquer boa alma a entender que o evento que estamos organizando não se trata de um encontro de paranormais (…ehn…, alguém pode rir? Tentei fazer uma piada).
“A Fenomenologia apresenta, pois, três significações fundamentais. Uma significação propriamente filosófica definida pela pergunta que situa Hegel em face de Kant: o que significa para a consciência experimentar-se a si mesma através de sucessivas formas de saber que são assumidas e julgadas por essa forma suprema que chamamos de ciência ou filosofia? uma significação cultural definida pela interrogação que habita e impele o “espírito do tempo” na hora da reflexão hegeliana: o que significa, para o homem ocidental moderno, experimentar o seu destino como tarefa de decifração do enigma de uma história que se empenha na luta pelo Sentido através da aparente sem-razão dos comflitos, ou que vê florecer “a rosa da razão na cruz do presente?” Finalmente, uma significação histórica, definida pela questão que assinala a originalidade do propósito hegeliano: o que significa para a consciência a necessidade de percorrer a história da formação do seu mundo de cultura como caminho que designa os momentos do seu próprio formar-ser para a Ciência? (…)” Henrique Cláudio de Lima Vaz
Até sexta-feira, minha gente.
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‘Nous ne sommes pas au monde’: outro tópico.
Gente, tô bege! Como diria Suzano: Algo me aconteceu. Não estamos mais no mundo. Essa frase de Rimbaud me pegou de surpresa. Passei a noite do domingo tentando conciliar os meus pensamentos sobre eventos, coisas e lugares, mas estou, realmente, um caco. Meu sentimento de estrangeirice chegou ao ápice. Não tem Beatles que dê jeito. She’s not a girl who misses much.
Oh, for the love of G-d, woman, stop it! Phellipe, na sexta-feira, enquanto eu devorava alguns gummi-bears, soltou a pérola: você precisa parar com isso. Vá beber!
Ai, Juliana, aprende a sorrir. Solta uma piada. Sei lá, se joga. Seu olhar não pertence a uma NIKON D200. Pára de regular entrada de luz, velocidade de lente, foco. Pára! Deixa a complexidade dos momentos para as fotos de Bresson e Cole Porter para as trilhas sonoras de Woody Allen. Bem, pensa, Recife não é Manhattan. Aqui, até mesmo a sua bolsa Gucci foi falsificada.
Porra, Juliana, tem calma. Sei que conviver consigo mesma deve ser uma barra. Ninguém pode ser capaz de gostar do próprio reflexo no espelho. Vou te dizer uma coisa: não adianta ficar bonita. Enfeitar a embalagem é sempre uma grande merda. Já disse, pára!
Vai dormir, caramba! Se entrar no seu quarto e escutar tocando Françoise Hardy meto-lhe a mão na cara. A vida não é uma sessão de cinema. Pára! Você não pode comprar meia-entrada para viver seus próprios momentos e tampouco o que você faz é filme de arte numa sala da Fundação. Olha, presta atenção: o seu dia-a-dia está mais para gravação em super-8, pas de chance!
Vê se volta ao mundo. Veste o relógio no pulso. Se vida não existe aprende a escutar o tic-tac.
“When we look back at it all as I know we will
You and me, wide eyed
I wonder…
Will we really remember how it feels to be this alive?
And I know we have to go
I realize we only get to stay so long
Always have to go back to real lives
Where we belong
When we think back to all this and I’m sure we will
We and you, here and now
Will we forget the way it really is
Why it feels like this and how?
And we always have to go i realize
We always have to say goodbye
Always have to go back to real lives
But real lives are the reason why
We want to live another life
We want to feel another time
another time…
Yeah another time
To feel another time…
When we look back at it all as I know we will
You and me, wide eyed
I wonder…
Will we really remember how it feels to be this alive?
And i know we have to go
I realize we always have to turn away
Always have to go back to real lives
But real lives are why we stay
For another dream
Another day
For another world
Another way
For another way…
One last time before it’s over
One last time before the end
One last time before it’s time to go again…” The Cure – Out of this world.
Tédio
Abril 22, 2007Domigo. Você, em casa, sozinha, no computador, precisa tomar coragem para estudar. Mas, é aquilo: domingo. O cachorro entra pela porta do terraço, passa pela copa, entra na sala de TV e acaba encontrando você na sala de jantar, esticada de frente para o monitor checando loucamente todos os seus e-mail.
- Argos, vamos assistir Sex and The City?
C’est tout.
Abril 18, 2007
“Moi je voudrais que chaque chose m’appartienne comme si je n’aimais qu’elle au monde; mais je les veux toutes; et mes mains sont vides. Je l’envie. Il ignore sûrement ce qu’est l’ennui.“ Simone de Beauvoir – Tous les hommes sont mortels.
Anotações sobre o absurdo I
Abril 17, 2007“Baby !
Dê-me seu dinheiro que eu quero viver
Dê-me seu relógio que eu quero saber
Quanto tempo falta para lhe esquecer
Quanto vale um homem para amar você
Minha profissão é suja e vulgar
Quero pagamento para me deitar
Junto com você estrangular meu riso
Dê-me seu amor que dele não preciso
Baby !
Nossa relação acaba-se assim
Como um caramelo que chegasse ao fim
Na boca vermelha de uma dama louca
Pague meu dinheiro e vista sua roupa
Deixe a porta aberta quando for saindo
Você vai chorando e eu fico sorrindo
Conte pras amigas que tudo foi mal
Nada me preocupa de um marginal.” Zé Ramalho – Garoto de Aluguel.
Rodrigo, um amigo, certo dia virou para mim e falou: “todos os dias quando acordo olho para uma foto de Zé Ramalho e digo: um dia quero ser assim”.
Hoje, anos depois da nossa última conversa, acordei para escutar Garoto de Aluguel, quem sabe, a minha música predileta. Ora, gosto de temáticas marginais. Afinal, muitas vezes, isolados em nossas jaulas pequeno-burguesas, perfeitamente equipados com valores morais, esquecemos que os dramas da vida são muito mais do que simples páginas de livros onde personagens de Nelson Rodrigues experimentam todas as suas taras e jovens garotas de 13 anos perdem a vida para as drogas enquanto adolescentes morrem por amor.
De fato, ‘Engraçadinhas’, ‘Christiane F.s’ e ‘Wherters’ existem no mundo real. Todos eles vivem dramas silenciosos perfeitamente escondidos sob a máscara da saúde social. Uma saúde frágil que nos torna muito mais doentes do que sãos. Porque, na maioria das vezes, somos mais pertubados do que imaginamos ser.
Então, do que adianta viver nossos ‘vícios’ em silêncio para depois, frustrados, transformá-los em obra de arte? Que mundo é esse onde não podemos sacar com quem convivemos? Onde, perplexos, devemos esconder nossos desejos daqueles que amamos? Em que merda de realidade vivo, perfeitamente iludida, quando deveria, na dura, experimentar o real? Nada me preocupa de um marginal.
Cansei de tanta indecência.
Meia-noite.
Abril 6, 2007A minha avó, doente, deitada numa cama, metida num quarto do apartamento da minha tia, não é mais. A minha avó, aquela que é, hoje foi detida pelo seu próprio medo da morte e nos faz sofrer em vida o perigo que não lhe aguarda mais além.
- Vovó?

Escrito por J. 
Escrito por J.
Escrito por J.