“… Ne me quitte pas
Je ne veux plus pleurer
Je ne veux plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t’écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L’ombre de ton ombre
L’ombre de ta main
L’ombre de ton chien
Ne me quitte pas…” Jacques Brel
=~~
Setembro 2, 2007‘…two lives may be saved.’
Julho 31, 2007
‘Our love goes under the knife…’
Acordei. Fato normal. Acordei e desejei não estar naquele quarto, deitada na mesma cama de sempre e envolvida pelo edredom cor-de-rosa que tenho desde os quatro anos de idade. Acordei, já disse. Fato normal e até mesmo comum para todos que estão vivos. Aliás, não tão comum como deveria ser. As pessoas em coma não acordam. Mas, o que dizer daquelas que sofrem de amnésia? Não sei. Não, não sei mesmo. Mas, de qualquer forma acredito que devam acordar. Desmemoriadas, claro. Vazias de significado, também. Acordam como qualquer outra pessoa, porém alheias a própria identidade.
Deve ser um sentimento mágico estar dissociado de si mesmo. Quantas vezes desejei perder minha essência na realidade que passa veloz pelas movimentadas avenidas do centro! Ora, já perdi as contas das ocasiões em que brinquei de me deixar esquecer apenas para tornar a me perceber: renovada.
Entretanto existem momentos em que não ouso ambicionar recobrar a minha essência. São momentos através dos quais quero deixar de ser para simplesmente me permitir invadir pelo mundo. E mesmo que por alguns minutos todo o mundo estevesse resumido a uma mera representação nada mais importaria. Não sei. Não sei mesmo. De qualquer forma ficaria feliz em saber que por alguns instantes o mundo poderia estar figurado em você. Assim, quem sabe, abandonaria o cigarro, a bebida e os maus hábitos. Consentiria passar todas as minhas noites em claro visto que residiria líquida em seus próprios sonhos e, por fim, ai! Acordaria quente dentro do seu corpo, num beijo, pelo primeiro raio de sol. Porque também seria o raio de sol e inundaria cada canto do seu quarto, vivo, agora, para você, em mim, na minha ausência e na constância de cada objeto ao seu lado.
Bom dia, amor. Bom dia. Acordei. Fato normal. Faz frio. Talvez acenda um cigarro, não sei. Realmente não sei. Mas enquanto não inventarem os bisturis d’alma permitirei ser consumida por pensamentos de você.
‘…two lives may be saved.’
Hamlet, act III.
Maio 22, 2007“To be, or not to be: that is the question:
Whether ’tis nobler in the mind to suffer
The slings and arrows of outrageous fortune,
Or to take arms against a sea of troubles,
And by opposing end them? To die: to sleep;
No more; and by a sleep to say we end
The heart-ache and the thousand natural shocks
That flesh is heir to, ’tis a consummation
Devoutly to be wish’d. To die, to sleep;
To sleep: perchance to dream: ay, there’s the rub;
For in that sleep of death what dreams may come
When we have shuffled off this mortal coil,
Must give us pause: there’s the respect
That makes calamity of so long life;
For who would bear the whips and scorns of time,
The oppressor’s wrong, the proud man’s contumely,
The pangs of despised love, the law’s delay,
The insolence of office and the spurns
That patient merit of the unworthy takes,
When he himself might his quietus make
With a bare bodkin? who would fardels bear,
To grunt and sweat under a weary life,
But that the dread of something after death,
The undiscover’d country from whose bourn
No traveller returns, puzzles the will
And makes us rather bear those ills we have
Than fly to others that we know not of?
Thus conscience does make cowards of us all;
And thus the native hue of resolution
Is sicklied o’er with the pale cast of thought,
And enterprises of great pith and moment
With this regard their currents turn awry,
And lose the name of action.–Soft you now!
The fair Ophelia! Nymph, in thy orisons
Be all my sins remember’d.” W. Shakespeare
C’est tout.
Abril 18, 2007
“Moi je voudrais que chaque chose m’appartienne comme si je n’aimais qu’elle au monde; mais je les veux toutes; et mes mains sont vides. Je l’envie. Il ignore sûrement ce qu’est l’ennui.“ Simone de Beauvoir – Tous les hommes sont mortels.
Anotações sobre o absurdo I
Abril 17, 2007“Baby !
Dê-me seu dinheiro que eu quero viver
Dê-me seu relógio que eu quero saber
Quanto tempo falta para lhe esquecer
Quanto vale um homem para amar você
Minha profissão é suja e vulgar
Quero pagamento para me deitar
Junto com você estrangular meu riso
Dê-me seu amor que dele não preciso
Baby !
Nossa relação acaba-se assim
Como um caramelo que chegasse ao fim
Na boca vermelha de uma dama louca
Pague meu dinheiro e vista sua roupa
Deixe a porta aberta quando for saindo
Você vai chorando e eu fico sorrindo
Conte pras amigas que tudo foi mal
Nada me preocupa de um marginal.” Zé Ramalho – Garoto de Aluguel.
Rodrigo, um amigo, certo dia virou para mim e falou: “todos os dias quando acordo olho para uma foto de Zé Ramalho e digo: um dia quero ser assim”.
Hoje, anos depois da nossa última conversa, acordei para escutar Garoto de Aluguel, quem sabe, a minha música predileta. Ora, gosto de temáticas marginais. Afinal, muitas vezes, isolados em nossas jaulas pequeno-burguesas, perfeitamente equipados com valores morais, esquecemos que os dramas da vida são muito mais do que simples páginas de livros onde personagens de Nelson Rodrigues experimentam todas as suas taras e jovens garotas de 13 anos perdem a vida para as drogas enquanto adolescentes morrem por amor.
De fato, ‘Engraçadinhas’, ‘Christiane F.s’ e ‘Wherters’ existem no mundo real. Todos eles vivem dramas silenciosos perfeitamente escondidos sob a máscara da saúde social. Uma saúde frágil que nos torna muito mais doentes do que sãos. Porque, na maioria das vezes, somos mais pertubados do que imaginamos ser.
Então, do que adianta viver nossos ‘vícios’ em silêncio para depois, frustrados, transformá-los em obra de arte? Que mundo é esse onde não podemos sacar com quem convivemos? Onde, perplexos, devemos esconder nossos desejos daqueles que amamos? Em que merda de realidade vivo, perfeitamente iludida, quando deveria, na dura, experimentar o real? Nada me preocupa de um marginal.
Cansei de tanta indecência.
Meia-noite.
Abril 6, 2007A minha avó, doente, deitada numa cama, metida num quarto do apartamento da minha tia, não é mais. A minha avó, aquela que é, hoje foi detida pelo seu próprio medo da morte e nos faz sofrer em vida o perigo que não lhe aguarda mais além.
- Vovó?
The Challenge of Love.
Março 9, 2007Nobody will ever be able to make you happy. The idea people have that one should be able to find the right partner in life is just self-degrading. There is only one person who can turn your life better and that person is you. Whether we find or we do not find the man/woman of our life is a question of choice that belongs to an even higher level of decision – the acceptance of reality and of our condition as human beings. And by that I do not mean to burry dialetics but just to afirm it.
We all know that one reach self-recognition by a struggle against the oposite but the oposite or the negative force is nothing but your own self. Why? ‘Cos the other is there to afirm your capabilities by denial so that in the end of the story you are the other as you’ve been supressed-sublimed-reflected and reset as the confirmation of your own self.
Therefore when I say that nobody can make you happy but yourself I’m trying to say that ‘in the end the love you take is equal to the love you make’. Or in very simple lines you can only ask for what you’ve been given.
But what did you give to the world? How did you show yourself to the world? In what terms did you expose your will? Was your will filled with significance or was it just empty? Pay attention to these questions because they will actually tell you a lot about how your relationships will fail and of how all your friends and lovers will turn their backs to you. I want you to understand that the fundamental thing about relationships is not about is giving yourself completly but it’s about how you externalize yourself and how you set yourself ready to struggle against the other (yourself) for recognition. Thus, to love is a challenge and I dare myself to real – embrace your reality and accept your freedom – sooner or later love will became an event that will afirm yourself as you are but remember, keep it up. Or once the game is over it won’t do any good to cry over split milk because the only one who can be blamed by your failures is YOU.
Le bus du Metal I
Janeiro 18, 2007Hoje, na aula de francês, o professor nos pediu para bolar um diálogo simples em que um viajante comprava tickets de trem. Okay, virei para Gone e perguntei: “vamos viajar para terra do metal?”. Existe algo mais fabuloso do que exportar todo o seu poder nerd? Não! Né, Gone? o/
Deixo vocês com o nosso texto do Capeta! =P
J: Bonsoir! Je voudrais un allez por le ville du Metal!
G: Tin-tin! Donc, combien des personnes?
J: Une personne. Moi seulement.
G: Bwhahaha! Nous n’avons pas le TGV pour le ville du Metal.
J: Qu-est-ce que vous avez?
G: Nous avons LE BUS DU METAL! \o/
J: Trés bien! C’est fantastique! Combien d’argent je vous dois?
G: 1 EUR. Mais, nous n’avons pas des places dans le bus…nous avons des places seulement sur le bus…
J: D’accord. Vous prenez la carte…
G: Bleue?
J: Non, Noir…La Carte Noir.
G: Bwahahaha! Oui, oui, oui! Nous prenons toutes les cartes! Voilá, un billet pour le bus du Metal de minuit!
J: Merci!
Ahahaha!
Agora vou ficar aqui no trampo escutando Serge Gainsbourg enquanto finalizo um relatório. Amanhã falo com vocês.
o/
Feliz 2007.
Janeiro 4, 2007para o meu amigo Márcio Oliveira
- Você bebe? Não.
- Você fuma? Não.
- Qual é a sua ligação com o sofrimento humano? (silêncio).
- Qual é dimensão do seu sofrimento? It’s all in my head…
Quando você tem 22 anos e não sabe se localizar bem entre Golda Mayer e um Cyborg o melhor mesmo é considerar a possibilidade de estar se tornando igual a Kant. Porque, até mesmo Hegel, possuía uma vida mais emocionante que a sua.
É claro que determinadas coisas a gente escreve no calor do momento.
É claro que quase nunca existe momento para se escrever qualquer coisa.
É claro que o calor do momento é uma expressão que nos remete ao fogo e ao julgamento de um tribunal da Inquisição.
Quando o sofrimento se instala em nossa mente com total força, descobre-se o poder da tortura. E, sem mais nem menos, cansados de explorar cada esquina das nossas memórias, deixamos escapar um grito de dor que já se faz passado desde o momento que corta nossas gargantas. Nesse instante, na medida em que o fogo consome as nossas entranhas, percebemos: do que nos serve o reconhecimento da dor se não existirá o perdão?
Silêncio. Você há de perseguir o perdão. Mesmo carente de culpa você deverá procurar a redenção pelos seus pensamentos. O fogo toma conta dos seus olhos e, finalmente cego, Édipo traidor da sua própria raça, você enxerga: o destino é inevitável.
O destino, penso, uma pedra em nosso caminho desde o dia em que nascemos. Ele existe porque rendemos pouca atenção aos Oráculos e nos deixamos perder num emaranhado de emoções que nos são estranhas à razão: porque acreditamos na boa-fé dos nossos próprios atos.
É assim na Tragédia: é mais ou menos assim na vida.
Desesperada.
Janeiro 4, 2007Um amigo, muito mais inteligente que eu, foi ao cinema comigo. E, na saída do filme, lanchamos. Comemos bastante e, desesperada, perguntei:
- O que você faria se pudesse voltar no tempo?
- Teria permanecido em Paris.
Adorei.
O que eu faria caso pudesse voltar no tempo? Nossa, acho que mudaria tudo em minha vida. Teria escolhido outra escola para estudar quando voltei para o Recife, aos quatro anos de idade, assim pouparia a minha memória de uma adolescência traumática e, quem sabe, a minha história atual fosse outra. Além disso, mudaria a minha postura diante do mundo. Hoje, ao cultivar alguma sorte de egoísmo, teria me tornado uma pessoa bem-sucedida. Jamais teria dado ouvido às lamúrias dos outros. Os homens, como se sabe, não reservam qualquer espaço para as mulheres. O nosso destino é sempre o mesmo: ser algo para eles. Isso não é certo. Ai, eu faria algo para mudar esse quadro.
De qualquer forma, aos 22 anos, sou uma velha. Não adianta mudar muita coisa no meu passado. Acho mesmo que deveria fazer uma terapia cognitivo-comportamental. Sei lá, mudar o presente. Tem gente que acredita nessas coisas. Talvez, o problema não esteja em minha infância. Talvez…
É, ler As Palavras me deixou um pouco confusa. Assim como Anne-Marie, nunca foi, para Sartre, uma mãe; os meus pais nunca foram realmente os meus pais. Desde os primeiros momentos da minha vida me reparei enfrentando os mesmos problemas que eles. Em verdade, criamos uma relação de amizade incapaz de ser corrompida por qualquer lance de autoridade. Entretanto, quando, na minha adolescência, os meus pais se separaram, o projeto da família comunista foi por água abaixo. Passei por maus bocados sem encontrar os amigos por trás das máscaras autoritárias em que, sem sombra de dúvidas, tentavam encobrir os seus próprios erros. Foi uma época de muitas incoerências. Mas, como bem disse a psicóloga, ‘vamos trabalhar o seu presente’.
No meu presente eu sou o meu único problema. Hoje mesmo pensei em ‘como me tornei estúpida’ e, sem chances de viver, continuo sem a mínima vontade de morrer. Aliás, adianta morrer? Adormecer para fazer cessar a dor que sentimos no coração e todas as outras dores que costumamos herdar? Jamais. Talvez, o príncipe da Dinamarca não fosse tão louco quanto se costuma pensar. Mas, eu dizia: sou estúpida. Tudo que aprendi não serve para nada. A humanidade está certa. Eu sou o problema e, a Rede Globo é a solução. Nem Shakespeare ou Hegel será capaz de me transformar em alguma coisa. Devo, para ser sincera, apostar no Xuxa life-style. Sei lá, assim serei a rainha dos baixinhos e, poderei dizer, no Fantástico que gostaria de ter cor de chocolate. Serei amada por todos, até mesmo pelos meus professores. A psicóloga por acaso qualificou como um problema a minha necessidade de ser especial?
Não sei. Ela não me deixava olhar as suas anotações e, provavelmente, após 3 anos sem ver a sua cara, já deve ter tocado fogo nos meus arquivos. Merda! Pouca coisa será publicada sobre o meu desespero quando estiver morta. Outro dia tive um pensamento esquisito. Em um futuro qualquer, um documentário da National Geografic dirá: ‘pouco se sabe sobre J.A. A sua identidade é um mistério. A sua idade se perde na história do ocidente e, estudos do centro de antropologia da Universidade de Cambridge revelam: ela foi, de uma forma ou de outra, mãe de uma raça indestrutível. O seu descendente, descoberto após escovar os dentes com um cotonete, para um exame de DNA, é um homem que muito pensa e pouco faz. Alguém que, por ser fraco, prossegue no tempo.’
Existe algo que poderia mudar no meu passado? Algo que possa fazer pelo meu presente? Algo que possa beneficiar o meu futuro?
Ai, não sei. Quem sabe, Paris?
Escrito por J.
Escrito por J.
Escrito por J. 